Tristeza, angústia, ansiedade, desânimo… O que diz seu sintoma?

Tristeza, angústia, ansiedade e desânimo são todos sinais que podem indicar sofrimento psíquico. Um conjunto de sinais pode ser englobado por um diagnóstico: depressão, síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada; a lista é grande! Dentro da clínica médica, o diagnóstico serve para explicar certos fenômenos de modo que se possa dar um prognóstico e prescrever um tratamento – cada vez mais medicamentoso. A medicação pode ser um recurso útil e, por vezes, necessário.

O sofrimento psíquico, diferente de muitas doenças orgânicas, é complexo porque sabe-se que ele é multideterminado, uma mistura entre fatores genéticos e ambientais. Não é incomum que a crescente medicalização de processos da vida gere uma lógica circular: “tenho depressão porque estou triste” e “estou triste porque tenho depressão”. O círculo, todavia, não apresenta saídas. O sintoma é um efeito, e não uma causa. Ainda que um comprimido possa ajudar a estabilizar determinadas reações fisiológicas, ele não é capaz de responder: o que seu sintoma diz?

O sintoma é uma formação do inconsciente e seu desenvolvimento fala do paciente, de sua história e da História que atua sobre ele; mas também fala ao paciente, lhe transmite uma mensagem. Muito embora a expressão possa ser semelhante (tristeza, medo, ansiedade…), o que produziu este efeito refere-se a uma equação sempre singular. A História e a história de vida se articulam nessa O momento histórico, as convenções sociais e as normas culturais  atuam sobre o desenvolvimento e  adoecimento psíquico. Não é à toa que a cada período histórico correspondem diferentes formas de adoecimento: a histeria de Freud, expressava o sofrimento das mulheres que viviam um período que as reprimia; o burnout de hoje, expressa a era digital do capitalismo. De que forma cada um adoece, todavia, fala do percurso de cada um: da história geracional, do contexto em que se desenvolveu, dos recursos e faltas que perfizeram esse caminho, que determinaram escolhas…. Imagina alguém cujo burnout é efeito de escolhas profissionais que não estão alinhadas com os desejos da pessoa ou cuja relação no trabalho não tem limites… medicar e simplesmente retornar ao mesmo contexto, não curará ninguém.

O sintoma é uma metáfora que representa algo de cada um que sofre; mas, resta muito a ser descoberto. Assim, é também um enigma a ser resolvido no processo terapêutico. Por meio do acolhimento, da recordação, da elaboração, do questionamento (quando isso surgiu e o que estava acontecendo nessa época? Em que situações se manifesta? Vem acompanhado de que pensamentos?…). A terapia é um processo que, através da fala e escuta atenta, fisgando o que fica nas entrelinhas e devolvendo com cuidado, busca tornar cada um capaz de se ouvir mais, se (re)conhecer no que se diz, decifrar as mensagens que recebemos de nós para nós, abrir uma brecha, construir uma saída; para assim poder fazer algo diferente com isso.

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