Quando é que vou melhorar?
A psicoterapia, tal qual a vida, não é um processo linear. Há momentos de avanço e outros de retrocesso. Há momentos de intensidade, de lampejos que clareiam, mas há também aqueles de calmaria. A ideia de progresso linear, muitas vezes referido como desenvolvimento, é uma construção histórica e cultural própria da modernidade.
Essa ideia de que não há crescimento se não for sempre em frente, na mesma direção, contribui em muito para o próprio adoecimento; gerando expectativas irrealistas/ utópicas que podem ter sérias consequências para a autoestima.
O processo psicoterápico não é só de construção, mas também de desconstrução. Conseguir não só suportar, mas aprender a com(viver), e não apenas esperar que passe; ou se martirizar quando as coisas não seguem no rumo e intensidade desejados. Este processo é um aprendizado para a vida. Atrelar o bem-estar a um único percurso e destino, restringe as possibilidades. Ademais, esse destino em que se imagina que tudo ficará bem, diz muito; fala das referências culturais e também da história individual, das fantasias de cada indivíduo – ótimo material para compreender os caminhos elegidos e como estes podem estar relacionados com o mal-estar do qual o paciente se queixa e poder recalcular a rota.
Ter um espaço seguro em que o paciente é acompanhado pelo terapeuta nesses movimentos próprios da vida, oferece a oportunidade, por meio do acolhimento, da escuta, do questionar e demais intervenções, de cuidar das dificuldades que emergem e produzir novos sentidos. O ambiente da terapia propicia um espaço seguro para que se ouse criar, fazer escolhas, e assim, desenvolver autonomia. Afinal, na vida não há apenas um caminho posto em linha reta a ser percorrido, mas encruzilhadas e diversos caminhos possíveis.